sábado, 20 de junho de 2015

Nestas férias cuide do seu interior...#Dia 3





ABORTO - CONDENAÇÃO E DOR

"Mas o Senhor nosso Deus é compassivo e quer perdoar, embora nos tenhamos revoltado contra Ele." - Daniel 9:9



Possivelmente não será a última vez que abordamos este assunto do aborto. Somos a favor da vida e a nossa opinião e os nossos valores, têm tanta força quanto o das maiorias que possam situar-se no lado oposto.


Não tem apenas a ver com o sentido religioso do nosso ser, mas com o mais profundo de cada homem – a preservação da vida.


Vivemos num mundo louco, pecaminoso, onde milhares de pessoas que não têm nada para comer dão à luz crianças que irão sofrer de subnutrição e eventualmente morrer, despedaçando de dor o coração das suas mães. Mas mais trágico ainda é o assassínio de milhares de bebés nos ventres de mães que poderiam providenciar para os seus filhos, mas escolhem não fazê-lo.


Algumas agem por medo, pânico, incapazes de acreditar que poderá haver uma alternativa.

Outras desumanizam as crianças que mataram, por conveniência, racionalizando as coisas de modo a não sentirem qualquer dor ou remorso. O que estas mulheres não compreendem é que, embora a palavra “feto” possa soar como “coisa” em vez de pessoa, ela é o termo latino para bebé. Embora algumas mulheres inicialmente se sintam aliviadas depois de um aborto, a culpa reprimida e a dor não chorada, têm tremenda força negativa sobre o seu equilíbrio emocional e por fim, mais cedo ou mais tarde, a maioria encontra-se a braços com o desespero.


Para estas mulheres é necessário cura. Receber perdão é a consequência natural do arrependimento pelo pecado e o perdão estabelece o terreno para a cura que Deus anela trazer.

Estou a falar de arrependimento por:

  • ceder à pressão de outrem para se ver livre de uma criança indesejada;

  • aceitar a mentira que tudo está bem, que há uma justificação por causa das circunstâncias;

  • escolher conforto material em vez da vida do bebé, sua própria carne;

  • ter medo da responsabilidade de criar e educar uma criança por ser jovem demais;

  • esconder a vergonha da ilegitimidade

Parece uma coisa dura de afirmar, dita desta maneira, mas até se arrepender deste acto, a mulher nunca será livre. Só poderá receber o perdão de Deus depois de admitir a sua culpa. Matar não é o pecado imperdoável. Só é preciso chegar ao Senhor Deus com um coração contrito. Ao saber que foi perdoada, será verdadeiramente livre para continuar a sua vida.


Muitas mulheres abordam-nos, carregadas pelo peso de um aborto passado. O nosso conselho é que experimentem o perdão que Deus oferece através de uma entrega desse fardo ao Pai Celestial, que está à espera de cada uma com amor. 


As crianças são dons de Deus, não são produtos de lojas de conveniência. E embora alguns dos nossos filhos tenham chegado como uma surpresa e na sua maioria em alturas “inconvenientes”, temos que aceitá-los como dádivas preciosas. A lógica fria e dura deste mundo dirá que não é possível tê-los, mas algures, no nosso coração, Deus pode fazer fluir tanto amor, que possamos abraçar com alegria cada um deles.


Há esperança para si, querida amiga, nesse lugar frio de remorso onde se encontra. No coração de Deus há perdão, há consolo e a Bíblia, a Sua Palavra, diz que “como o oriente está longe do ocidente assim Ele afasta de nós as nossas transgressões e dos nossos pecados não se lembra mais”. 


Quando você receber este perdão, receberá também a alegria de saber que essa criança que não desejou, também está num lugar de segurança - os braços de Jesus.


Se for uma dessas mulheres, perturbada pela lembrança dorida de um aborto passado, mesmo agora, neste momento, fale com Deus. Deixe-me ajudá-la numa oração:



"Senhor, reconheço o meu pecado. O que fiz foi muito feio e muito mau. Sabes como tenho sofrido com isto, conheces as lágrimas que em oculto tenho chorado. Mas hoje, ouvi que na Tua mão está o perdão. Venho a Ti agora para receber a graça desse perdão. Concede-mo no nome do Teu Filho Jesus, que morreu na cruz pelos meus pecados e liberta o meu espírito para a vida.

Recebe a gratidão do meu coração por esta graça que me concedes.

Ámem."



Deus ouve e responde. Podemos sentir a paz a inundar-nos a alma. Depois virá a alegria de um novo dia.

Texto da autoria de Sarah Catarino retirado do programa de rádio Mulheres de Esperança (Projecto Ana) produzido pela Rádio Transmundial de Portugal.
 

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Nestas férias cuide do seu interior...#Dia 2




A Dor da Perda

"...Uma alegria eterna iluminará o seu rosto, um regozijo transbordante os inundará; as penas e aflições desaparecerão." - Isaías 51:11b

Ao longo da minha vida tenho conhecido mulheres que perderam os seus filhos, nas mais variadas situações e condições de vida. Mas em todas elas há um denominador comum: saudade profunda, vazio que ninguém ou nenhum outro filho pode preencher.


Claro que a nossa cultura e estrutura social podem dar diferentes aspectos à exteriorização dessa dor, mas no fundo, ela nunca deixa de ser a maior, a mais agonizante na vida de uma mulher que é mãe e que sofre a perda de um filho, seja ele criança,seja ele de mais idade.


É principalmente por ocasião da quadra do Natal, nos dias de reunião de família, que sentimos o calor do afecto e da partilha. Mas mesmo sem o exprimirmos em palavras, há sempre um lugar que não é preenchido à mesa nem no coração da mãe – o do filho que partiu.


Pensei por momentos no que teria sentido Maria de Nazaré, quando ficou junto da cruz de Jesus Cristo, vendo o seu querido filho torturado, maltratado, ensanguentado e morrendo inocente. Trinta e três anos antes, um profeta dissera a Maria: Uma espada trespassará a tua alma... Agora, ela sabia e sentia o dilacerar da espada no seu coração. Os evangelhos não relatam que ela tenha falado, desmaiado, gritado ou chorado. A sua figura de dor junto à cruz, era também um sinal de Deus mostrando-nos que, embora bem-aventurados, como ela era, ainda estamos expostos ao sofrimento e à angústia. 


Mas a maior de todas as dores, deve tê-la sentido Deus Pai, quando viu o Seu amado Filho morrer na cruz. A dor de Deus não tinha a ver apenas com o sofrimento infligido a Cristo, mas com o horror da maldição do pecado colocada sobre o ser mais maravilhoso do Universo. 


Os evangelhos dizem que, quando Jesus expirou, o véu do Templo que separava o lugar santo do lugar santíssimo, onde só entrava o sacerdote, foi rasgado de alto a baixo por mão invisível. Naquele tempo, quando um pai perdia um filho, rasgava as vestes como sinal de dor e perda. O rasgar do véu foi o sinal de um Deus que sente as dores dos homens, porque é um Deus de amor e bondade. Rasgou o véu, rompeu o que O separava dos homens, no momento mais crucial da morte do Seu Filho Jesus.


Este Deus que entende a dor, tem na Sua mão a consolação que mais ninguém pode dar neste mundo. Deus Pai compreende uma mãe que perde um filho, mesmo que ela, no seu desespero, acuse Deus de fazê-lo.


Levantemos os nossos olhos da perda que sofremos e comecemos a sentir alegria pelos momentos que vivemos com essa pessoa que tanto amámos. Há recordações que trazem consolo, há palavras e gestos lembrados que são como um bálsamo para o coração. Deus está nesse consolo, nesse bálsamo, se nos chegarmos a Ele. Ele espera-nos.

Texto da autoria de Sarah Catarino retirado do programa de rádio Mulheres de Esperança (Projecto Ana) produzido pela Rádio Transmundial de Portugal.
 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Nestas férias cuide do seu interior...#Dia1



A História das Trinta Libras
(Dois Anos de Programa)

"Pois eu digo-vos que ao que tem dá-se-lhe mais, mas ao que não tem tira-se-lhe até o que possui." - Lucas 19:26

Olhando para trás nestes dois anos de programa, tantas coisas sobem ao meu coração:

Lembranças das lutas para começar este trabalho, da incompreensão de alguns, da alegria de abençoar tanta gente e sobretudo da fidelidade de Deus que nunca nos deixou, nem um segundo sequer.

Lembro-me como se fosse hoje o nosso primeiro programa: estávamos tão nervosas (eu, sobretudo), porque íamos ser avaliadas pela nossa chefe Marli . A preocupação para que tudo corresse bem, o empenho que naquele dia colocámos em todos os pormenores e a resposta de encorajamento e força da nossa chefe, tudo isso tornou esse dia tão especial. Eu estava muito nervosa nessa tarde, sei exactamente o que disse, mas embora ninguém notasse, por dentro tremia... Passados dois anos, ainda sinto o mesmo friozinho, não porque tenha dificuldade com as palavras, mas porque o que fazemos não é um passatempo qualquer, mas uma responsabilidade que Deus nos entregou e que tem resultados eternos.

Rebuscando na minha alma o que deveria escrever para lembrar esta aventura, recordei-me de uma história contada por Jesus Cristo. Ele era um contador de histórias único: 

Era uma vez um homem de nobre linhagem que estava prestes a ser rei. Como possivelmente na sua capital não tivesse muito apoio político, resolveu fazer a cerimónia da coroação num lugar distante, onde a sua fama ainda não tinha chegado. Antes de partir, chamou dez dos seus mais fiéis servos e entregou a cada um a soma de 3 libras. Com estas libras, os dez servos tinham que negociar. O final contemplado pelo nobre não era tanto o “fazer dinheiro” mas o “fazer carácter”. Negociar? Como? Com quem? 

Toda a vida tinham sido escravos da sua rotina, das suas tarefas mais baixas agora, tinham sido promovidos a empresários!

Não sei como fizeram, mas o que a Bíblia diz é que os homens procederam exactamente como o seu senhor lhes pedira.

Quando o nobre voltou, agora já coroado rei e com mais autoridade, chamou os escravos-empresários e quis saber o que tinham feito com as 3 libras que haviam recebido. A história fala apenas que o rei chamou três, dos dez servos.

O primeiro, com toda a humildade disse: “Senhor, negociei as tuas libras e aqui tens o resultado: 30 libras”. O homem tinha cumprido a sua responsabilidade e negociado com o montante que o rei lhe entregara. Usando todas as oportunidades, aumentou o seu pecúlio 10 vezes mais e foi por isso nomeado governador de 10 cidades – uma completa fidelidade trouxe-lhe total responsabilidade.

O segundo servo, que não tinha sido tão diligente e ambicioso, trouxe apenas 15 libras. O seu sucesso fora parcial, mas mesmo assim a sua responsabilidade foi aumentada, pois foram-lhe dadas 5 cidades para governar.

O terceiro não podia relatar qualquer lucro. Havia escondido o seu dinheiro num pano. Quando lhe foi perguntado porque é que não negociara como os outros, o homem abriu-se e condenou-se a si próprio ao fazer afirmações erradas a respeito do rei. O monarca tirou-lhe o dinheiro e entregou ao que tinha negociado mais, dizendo-lhe que deveria pelo menos ter posto o dinheiro no banco para recebê-lo com alguns juros. Este servo cometeu o “pecado de omissão”. 

Infelizmente é aqui que muita gente erra, pois cometemos pecado quando ”não fazemos” o que nos é pedido.

A moral desta história tem a ver com algo muito precioso que se tem passado nestes poucos anos da nossa história como programa   MULHERES DE ESPERANÇA.  Deus entregou-nos uma tarefa a cumprir. Através do nosso amor a Ele e da importância dessa tarefa, somos incentivadas a fazer crescer aquilo que Ele nos entregou.

Servimos um Deus que é absolutamente Fiel. A Bíblia diz que Ele é assim, mesmo quando nós somos infiéis. Mas quando Ele se agrada daqueles a quem tem dado talentos, capacidades e que, por amor a Ele, fazem o máximo para que o Seu Reino cresça!

Neste ministério temos a mensagem mais rica e preciosa que qualquer homem ou mulher podem ouvir: 

·        Que Deus nos ama com um amor infinito, que por causa desse grande amor, entregou o Seu Filho Jesus Cristo como oferta, no altar do Calvário, para a purificação dos nossos pecados.

·        Que por causa desta nova vida que podemos usufruir n’Ele, somos restaurados à plenitude do nosso ser, como sempre foi a intenção de Deus.

·        Que Deus tem um plano perfeito para cada mulher e cada homem e que Ele se alegra quando vivemos segundo esse plano e propósito.



Não é possível guardar a preciosidade de tal tarefa numa gaveta, amarrá-la num lenço, escondê-la do olhar de quem passa. Temos que proclamá-la aos quatro ventos, dizê-la ao ouvido dos amigos, cantá-la à alma sem esperança, sussurrá-la junto ao rosto do moribundo. 

O que estamos a fazer com as nossas libras? O que é que cada um de nós recebeu das mãos do rei como bem, como legado? Guardamo-lo para nós apenas, ou partilhamos esse bem com a humanidade?

Texto da autoria de Sarah Catarino retirado do programa de rádio Mulheres de Esperança (Projecto Ana) produzido pela Rádio Transmundial de Portugal.